cover
Tocando Agora:

Gilmar Mendes questiona condução de Fux na Segunda Turma no caso de afastamento de diretor da PF

Gilmar diz que Fux fez ajuste prévio com Mendonça O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou um ófício ao presidente da Segunda Tur...

Gilmar Mendes questiona condução de Fux na Segunda Turma no caso de afastamento de diretor da PF
Gilmar Mendes questiona condução de Fux na Segunda Turma no caso de afastamento de diretor da PF (Foto: Reprodução)

Gilmar diz que Fux fez ajuste prévio com Mendonça O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou um ófício ao presidente da Segunda Turma da Corte, Luiz Fux, no qual questionou a condução dele no julgamento que confirmou o pedido de afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Na manifestação, Gilmar pontuou a rapidez com a qual o próprio Fux e o ministro Nunes Marques teriam votado para referendar a decisão do relator, ministro André Mendonça — formando maioria na turma para confirmar a determinação. O ministro enviou o ofício na última sexta-feira (11), e chegou a citar a questão no julgamento sobre o relatório da PF que cita conversas entre Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, na terça-feira (15). A sessão terminou sem conclusão, após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. O ofício foi tornado público nesta quinta-feira (17). 🔎O ofício enviado por Gilmar não tem efeitos práticos. Ele representa que o ministro quis marcar posição, porque entende que houve uma condução indevida dos trabalhos do colegiado. Fux assumiu a Presidência da Turma em agosto, e o colegiado é responsável por julgar o caso Master. Segundo Gilmar, as manifestações ocorreram nos seguintes horários: 8h43: Mendonça deu aval ao pedido de medida cautelar que previu o afastamento de Andrei Rodrigues; 9h29: o gabinete do relator incluiu o processo na pauta da turma, para referendo; 9h38: após a inclusão do processo na pauta, o gabinete de Gilmar foi informado sobre a convocação da sessão extraordinária para analisar o caso, prevista para começar às 10h. Segundo Gilmar, a sequência de horários registrada no sistema oficial da Corte "demonstra que a designação dessa sessão virtual extraordinária ocorreu mediante entendimento direto entre Vossa Excelência e o Relator, sem prévia comunicação a parte dos integrantes do colegiado". Ou seja, afirma que houve um "prévio ajuste — não comunicado a parcela dos demais colegas integrantes do colegiado" entre Luiz Fux, e o ministro André Mendonça. Flávio Dino, André Mendonça, Alexande de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes Alejandro Zambrana/STF Gilmar Mendes destaca que pediu vista às 10h, logo na abertura da sessão. E que às 10h04 e às 10h06, já depois do pedido de vista, Fux e Nunes Marques, respectivamente, adiantaram o voto acompanhando o relator. "Vê-se, pois, que, em pouco mais de uma hora, uma decisão de tamanha gravidade institucional, que afastou de suas funções o Diretor-Geral e o Diretor de Inteligência Policial da Polícia Federal e que tensiona a separação de poderes, foi proferida, divulgada pela imprensa, pautada para referendo e submetida a julgamento virtual, sem que se possibilitasse à totalidade dos integrantes do colegiado o integral conhecimento dos fatos e a adequada reflexão jurídica a seu respeito", prossegue. Por isso, as circunstâncias evidenciariam uma condução indevida dos trabalhos da Turma, segundo ele. Com o registro, Gilmar afirma que, na posição de Decano do Supremo — ministro que ocupa o cargo há mais tempo entre os demais (membro da Corte há 24 anos) — registra a "necessidade de tratar todos os membros da Turma de forma igualitária, sob pena de inviabilizar a participação em sessões designadas mediante entendimento reservado entre o Presidente da Turma e o Relator, à margem dos demais integrantes do colegiado".